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Instituto Cultural Filhos de Aruanda completa 14 anos com trajetória marcada por cultura, educação e transformação social

O Instituto Cultural Filhos de Aruanda celebra, no dia 18 de maio, 14 anos de atuação em Rio Grande, consolidando-se como uma das iniciativas socioculturais mais atuantes no fortalecimento da cultura afro-brasileira, da educação comunitária e do desenvolvimento social. A história do Instituto começa antes mesmo de sua formalização, a partir de ideias que surgiram ainda no fim dos anos 2000.

Segundo o fundador, Cristiano Ávila, o impulso inicial veio em 2010, após participar de uma palestra e vivenciar um sonho com um Preto Velho, que o incentivou a fazer mais pela divulgação da Umbanda e pela valorização da cultura dos terreiros. A partir dali, ele começou a anotar projetos que surgiam: a Caravana de Brinquedos, o Curimba Rio Grande, simpósios sobre Umbanda, um jornal informativo e diversas outras ações culturais.

Mas as iniciativas já aconteciam antes. Em 2008, Cristiano tentou organizar uma grande celebração pelos 100 anos da Umbanda, sem sucesso. Mesmo assim, seguiu promovendo ações comunitárias, como a criação de um mural em terreiro com divulgação de vagas de emprego, distribuição de preservativos com orientação sobre saúde e cuidado nas relações e até o rascunho de uma universidade voltada às artes, cultura e economia criativa — ideias que, anos depois, dialogariam com o que viria a se tornar o Instituto.

O primeiro projeto a sair do papel foi a Caravana de Brinquedos, considerada o marco inicial da trajetória. Em 2012, Cristiano passou a buscar pessoas para somar às ideias do Curimba e do Simpósio. Foi nesse momento que encontrou parceiros com propostas semelhantes, entre eles integrantes da Arutema, que ajudaram a realizar o primeiro simpósio e o primeiro Curimba. Surgia então o Núcleo Cultural Aruanda, formado após reuniões com pessoas de terreiros interessadas nas propostas.

Em 2014, novas parcerias fortaleceram o grupo, permitindo a realização da segunda edição do simpósio e do Curimba. Nesse período, outras iniciativas de comunicação e registro cultural também foram sendo estruturadas, além de programas, documentários e ações voltadas à preservação dos saberes da Umbanda.

A formalização aconteceu em 2015, quando foi criado o CNPJ e definido o nome Instituto Cultural Filhos de Aruanda, em diálogo com Alexandre Cumino e Rodrigo Queiroz. Em 2016, o Instituto recebeu a certificação de Ponto de Cultura e criou a Cia de Teatro Filhos do Orum, ampliando suas atividades artísticas e formativas.

Desde então, o Instituto não parou de crescer. Em 2021, passou a integrar o COMDICA, ampliando sua atuação na garantia de direitos de crianças e adolescentes. A partir dessa participação, diversos projetos foram contemplados em editais municipais, fortalecendo as ações e ampliando o atendimento à comunidade. Os projetos desenvolvidos pelo Instituto também passaram a movimentar a economia local, gerando renda e oportunidades de trabalho no município.

De 2012 até hoje, o Instituto vem formando e remodelando trajetórias de crianças e jovens de bairros periféricos, oferecendo cursos, oficinas e programas que unem cultura, educação e cidadania. Atualmente, são cerca de 200 alunos atendidos em mais de 14 atividades, realizadas de segunda a sábado.

Entre as ações marcantes está o projeto de equoterapia, realizado gratuitamente em 2022, proporcionando uma experiência inédita para os participantes. No mesmo período, o Instituto também lançou o livro “Coletâneas”, reunindo produções e memórias construídas ao longo das atividades culturais.

O Instituto também vem se destacando no campo do audiovisual. Em parceria com a FA Produções, são realizados cursos, cineclube e oficinas de animação, incentivando o protagonismo juvenil e a produção de conteúdos culturais próprios.

Além das atividades educativas, o Instituto oferece acompanhamento psicológico aos alunos e apoio às famílias em maior vulnerabilidade social, com distribuição de cestas de alimentos, itens de higiene e hortifrúti, fortalecendo a segurança alimentar e o cuidado integral.

Outra iniciativa inovadora é a criação de uma moeda social interna, idealizada por Cristiano Ávila. A proposta busca incentivar a leitura, a participação nas atividades e reduzir a evasão escolar, ao mesmo tempo em que beneficia as famílias atendidas pelo Instituto.

Nos últimos anos, a instituição também firmou novas parcerias, como com a Otropoporto, na divulgação das ações através do CMBG, além de sediar cursos em conjunto. Outra conquista recente foi a parceria com a Corsa, que viabilizou o financiamento do projeto Harmonia Cultural.

O reconhecimento ao trabalho desenvolvido também veio por meio de premiações e certificações. O Instituto recebeu o prêmio Periferia Viva em 2023, o título de Ponto de Memória em 2022 e o prêmio de melhor festival de Curimba em 2024. Também firmou parcerias com Fiocruz, Ministério da Cultura, Sedac, Sicredi, BrazilFoundation, além de iniciativas com apoio internacional, incluindo recursos do Governo do Canadá e da União Europeia.

Durante a pandemia e nas enchentes de 2024, o Instituto teve atuação destacada em ações de resgate, acolhimento e doações, além de participação em abrigos municipais, reforçando seu papel social junto à comunidade.

Atualmente, o Instituto também avança na construção de uma educação antirracista, baseada no acolhimento, pertencimento e segurança alimentar. Dentro dessa proposta, Cristiano Ávila desenvolve a chamada Pedagogia de Aruanda, metodologia própria que está sendo aplicada e testada nas atividades da instituição.

Para o fundador, a cultura e a educação são ferramentas fundamentais de transformação social. “Quanto mais escolas e pontos de cultura existirem, menos cemitérios e menos cadeias vamos precisar”, afirma.

Ao completar 14 anos, o Instituto Cultural Filhos de Aruanda reafirma sua missão de promover cultura, educação, cidadania e desenvolvimento social, transformando vidas e fortalecendo a comunidade através da arte, do conhecimento e do protagonismo coletivo.

 

Instituto Cultural Filhos de Aruanda

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