Com base em pesquisa, universidade planeja retomada de atividades de ensino

Questões apontadas por estudantes e professores embasam ações para o ensino no período emergencial

As aulas na FURG mal haviam retornado no primeiro semestre deste ano quando, duas semanas depois, por conta da ameaça do coronavírus, foram suspensas. O período, que inicialmente foi de três semanas, hoje já supera quatro meses, situação que não é exclusividade da FURG. A maioria das universidades federais do país segue com as atividades acadêmicas de ensino suspensas ou em modo remoto. Sem previsão de um retorno seguro, uma força-tarefa que envolve coordenadores de curso, pró-reitores, reitoria e servidores de diversos setores da instituição, atua diariamente para planejar um reencontro possível entre docentes e estudantes com a universidade.

No início de junho, estes dois grupos foram convidados a responder a uma pesquisa para que se pudesse compreender o impacto da pandemia em suas vidas e suas condições de estudo e produção no período. Com participação massiva, que superou 80% em ambos os grupos, a pesquisa permitiu vislumbrar um “raio-x” da situação, tanto dos professores e professoras quanto dos estudantes. O trabalho foi conduzido por um grupo de trabalho da Comissão de Graduação e coordenado pela Diretoria de Avaliação e Desenvolvimento da Graduação (DIADG), da Prograd.

Entre os estudantes, 68,24% apontaram que ou integram o grupo de risco, ou convivem com pessoas em situação de risco para a Covid-19. Os docentes manifestaram dado quase idêntico: 68,7%. Mais de 70% dos alunos indicaram que, num provável retorno às aulas, fariam uso de transporte público para se deslocarem aos campi da universidade. Essas duas questões foram importantes para a percepção de que um retorno presencial, neste momento, não seria possível.

A pesquisa perguntou sobre o acesso e condições de uso de tecnologias digitais. Há diferenças expressivas entre os cursos da universidade, mas quase 90% dos estudantes (89,31%) apontou ter acesso à internet banda larga. Os participantes da pesquisa também foram questionados quanto aos dispositivos que possuem. Foram 93,77% os que apontaram ter smartphone de uso individual, 56,38% notebook pessoal, 21,7% com acesso a notebook com uso compartilhado, 13% a computador de mesa de uso individual e 7% a tablet de uso individual. Na avaliação da pesquisa, o grupo de trabalho definiu que o acesso ideal para ensino remoto é computador – desktop ou notebook – de uso pessoal. E aí o indicador do questionário é 63,49%, o que foi analisado como desfavorável, por ser um percentual abaixo do desejado. Por isso, a Pró-reitoria de Assistência Estudantil (Prae) já lançou dois editais de auxílio à inclusão digital para tentar ampliar o acesso.

Com recursos do Plano Nacional de Assistência Estudantil, os editais oferecem R$ 200,00 por mês, durante até 6 meses, a estudantes que necessitem de inclusão digital. “O aluno poderá utilizar o recurso para qualquer equipamento que ele precise, para conserto ou compra de equipamentos, por exemplo. Cada caso é um caso, por isso é um recurso pecuniário”, explica a pró-reitora Daiane Gautério.

As questões apontadas pelos docentes

Entre as professoras e professores que responderam à pesquisa, 97,8% disseram ter banda larga residencial. Mais de 80% já utilizam – eventualmente ou com frequência – tecnologias digitais nas práticas pedagógicas e 64,3% consideram que não teriam dificuldades para realizar atividades acadêmicas pela internet. O e-mail (92,8%) e a plataforma Moodle (71,9%) foram as ferramentas mais apontados pelos docentes para que sejam as utilizadas em práticas pedagógicas.

A dificuldade mais apontada pelos professores para uma retomada de atividades durante a pandemia foi com avaliações não presenciais (50,8%), seguida de falta de habilidade no uso de tecnologias de informação e comunicação (40%) e dificuldade para planejamento e organização de material didático para as atividades não presenciais (38,4%). Mais de 90% indicaram ser necessária a oferta de cursos de formação docente pela universidade para uso pedagógico de tecnologias digitais.

O que fazer?

A pesquisa conduzida pela Comissão Acadêmica, além da coordenação da DIADG, teve também a participação da Diretoria de Avaliação Institucional (DAI) para análise dos dados. Um grupo de 15 coordenadores de curso participou do trabalho, junto com outros cinco docentes. Na etapa anterior, de elaboração dos questionários, foram convidadas a colaborar as entidades representativas dos estudantes, docentes e técnicos. Assim, as sugestões feitas pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), e pelos sindicatos dos docentes (Aprofurg) e técnicos (Aptafurg) foram incorporadas aos questionários.

O trabalho agora se desdobra em diferentes frentes, mas todas com um objetivo comum: convergir esforços para que a roda da troca de conhecimentos volte a girar, de modo seguro e inclusivo, em toda a instituição. No dia 10 de julho o Conselho de Ensino, Pesquisa, Extensão e Administração (Coepea) aprovou a Deliberação 023/2020, com as diretrizes acadêmicas para o ensino de graduação durante o período emergencial. O documento prevê autonomia para as coordenações de cursos e Núcleos Docente Estruturantes (NDEs) no planejamento das atividades durante o período emergencial. Por isso, cada curso está recebendo o resultado das pesquisas – tanto com os docentes quanto com os estudantes – para planejar com bases sólidas a partir dos dados informados.

“Estamos entregando para as coordenações de curso um conjunto de dados importantes sobre docentes e discentes. Esses dados servirão para que os coordenadores organizem ações e planejem suas atividades. Importante lembrar que aprovamos uma norma acadêmica que permitirá uma série de flexibilizações: como oferta de disciplinas, projetos interdisciplinares, liberação de pré-requisitos, flexibilização de frequência. Vamos também ampliar os formatos avaliativos, autorizar os estudantes a cursar um número compatível de disciplinas para seu contexto”, explica o pró-reitor de Graduação Renato Duro Dias. Ele avalia que tanto o estudante quanto o professor “poderão ter autonomia para flexibilizar e criar itinerários formativos, ou seja, realizar possibilidades acadêmicas mais adequadas ao momento da emergência. Lembrando que estamos em período de excepcionalidades”.

Outra frente de trabalho, também unindo esforços de diferentes setores da universidade, é a que resultou no AVA FURG, o novo Ambiente Virtual de Aprendizagem, agora com mais ferramentas e potencialidades pedagógicas. Ferramenta própria, com proteção de dados, e baseada em software livre, o AVA FURG está disponível não apenas para computadores, mas também no formato mobile, para uso em telefones celulares. No mês de julho teve início uma série de lives para formação docente, que integram o projeto “Territórios de Aprendizagem em Tempos de Pandemia”.

“Quando os professores responderam que sim, que era importante fazer a formação, abrimos as inscrições e tivemos mais de 700 professores inscritos para nossos processos de formação. Toda nossa capacitação já está acontecendo no novo AVA Moodle Formação”, conta Dias.

Ele demarca que todas as ações tomadas tanto pela Prograd quanto pelo Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI) e pela Secretaria de Educação a Distância (SEaD), além de outros setores da instituição, dizem respeito a um período com início, meio e fim, emergencial. “A diretriz aprovada é para um período de emergência, temporária, para que a universidade possa continuar a desenvolver seu importante papel, mantendo o contato entre seus alunos e professores. Emergência é a palavra que realmente retrata o nosso momento. Estamos fazendo toda essa adequação para que ações possíveis sejam ofertadas ao nosso aluno”, relata.

O diretor de Avaliação Institucional da universidade, Luiz Nery, que atuou na sistematização dos dados da pesquisa dirigida pela professora Sibele Rocha Martins, enfatiza que o caráter principal de todas as medidas tomadas pela instituição foi a liberdade. “Cada pessoa, cada estudante, vai poder escolher a melhor maneira de enfrentar esse processo. Ninguém vai ser obrigado a estudar a distância e ninguém vai ser obrigado a ficar isolado em casa”, conclui.

O momento agora é de planejamento das coordenações de curso, NDEs, unidades acadêmicas e docentes. O calendário para retomada das atividades no período emergencial estará apto a ser implantado após apreciação e análise do Coepea. Até lá, a expectativa pelo retorno das atividades ameniza outra espera, esta mais longa: a do retorno da normalidade.

Assessoria de Comunicação Social da FURG

Foto: Divulgação FURG

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