Um soco no estômago do jornalismo

Que hipocrisia é essa?! 07 de Abril, é intitulado dia do Jornalista. E quem se importa? Você? Os veículos? Os Jornalistas?

Vivemos uma era em que todos se dizem e se sentem um pouco de tudo. A era da informação e desinformação. A era dos erros, das fake News, das verdades e pós verdades. Vivemos uma era de profundo desconhecimento e conhecimento sobre o meu e o seu papel no mundo.

Desde 2009 o Supremo Tribunal Federal decidiu pela inconstitucionalidade na exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Ou seja, a decisão é de que não precisa mais de diploma para atuar como jornalista.

Tudo isso, nos permite refletir sobre o que deve ou não ser feito diante da profissão. Sabemos que apesar das decisões, há um grupo que defende a retomada da exigência do diploma. São formados, geralmente, por jornalistas graduados.

Mas isso é pouco, muito pouco. Somos testemunhas de inúmeras irregularidades. Somos reféns de um mercado com organizações que contratam estagiários que deveriam estar cientes de seu lugar e remuneração, e ainda assim, atuam como se já fossem profissionais. Somos vítimas de veículos que sequer contratam jornalistas para atuar. E de quem é a culpa?

Do STF que não exige o diploma? De você que aceita uma ocupação como estágio, mesmo sabendo que meses depois será descartado, substituído por outro estagiário?

Dos órgãos fiscalizadores que fazem vistas grossas e permitem jovens, atuarem em estágio, sem regulamentação, sem direitos e recebendo o título de jornalistas?

Dos órgãos fiscalizadores que não autuam as empresas que contratam mais estagiários do que a lei permite? (Pasmem, isso acontece). Por lei, empresas com mais de 25 funcionários só podem contratar 20% de seu quadro como estagiários. Mas tem empresa com 26 que faz a incrível mágica de contratar 10 estagiários e nada acontece como forma de punição.

A culpa é do empresário que se aproveita da legislação e da necessidade de cada um para agir assim?

Pois, é. As irresponsabilidades podem ser mútuas. E se podemos tentar solucionar de forma mais próxima, rápida e transparente, por que delegamos ao STF a culpa de não ter profissionais graduados nos veículos? Por que delegamos ao STF a falta de profissionalismo nos veículos?

Muitos jornais em todo o Brasil, apesar da decisão, permaneceram e explicaram que continuam e continuarão contratando profissionais diplomados.

Por isso, é fácil compreender, a culpa não é do STF. A culpa é sua que mesmo sabendo que será descartado dias depois, aceita, e continuará aceitando convites para trabalhar de graça (pasmem, isso ocorre).

A culpa é sua, que de forma egoísta e incoerente, defende um jornalismo com credibilidade, mas, aceita trabalhar de GRAÇA, porque isso não faz (e não entendo como), diferença para você.

A culpa é sua, que aceita ocupar espaços contribuindo para a prostituição da sua profissão e não dá chance para o seu colega também formado ocupá-lo de forma digna.

A culpa não é “SÓ” do STF. É da Classe que aceita e é conivente com atitudes desoladoras e que em alguns espaços seriam completamente recriminadas e talvez nem tivessem chance de acontecer.

A culpa é de você que está mais preocupado em aparecer na televisão, rádio, impresso, internet ou onde quer que seja, e deixa seu colega morrer de fome se precisasse viver da profissão.

A culpa é do veículo, conduzido por jornalista, que não paga o piso mínimo e nem os direitos para o jornalista. A culpa é do veículo que contrata pessoas não graduadas e as nomeia como jornalistas.

A culpa é de todos, não transfira a sua responsabilidade. Você pode contribuir ou favorecer para que o mercado valorize a sua formação e profissionalismo. A escolha é sua. E se não estiver contribuindo para a valorização da sua profissão de jornalista, fique com um soco no estômago.

Jornalista Thuanny Cappellari* – Equipe Rio Grande TEM

*Graduada pela UFPEL e Mestranda em Comunicação pela PUCRS

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