Não pediu licença e se instalou

Dizem que a palavra mais bonita da língua portuguesa é “saudade”. Talvez porque, embora não seja uma particularidade do nosso idioma, a usamos de uma maneira bastante especial, já que em outras línguas a tradução do latim “solitas”, “solitatis” traz referências como saúde e mais adiante outras como desamparo ou solidão. Usamos como ausência, como sentir falta de alguém, de várias pessoas, de pets e/ou situações, é um modo bastante próprio de uso que, possivelmente, só haja aqui no Brasil realmente. Sendo assim, nunca fez tanto sentido sentir saudade, tenho saudade de todas as pessoas, inclusive daquelas que nunca se fizeram presente por alguma razão. Saudade de falar por falar, de estar em lugares chatos, das filas dos bancos, da padaria, do barulho quase irritante, daquela música que nunca apreciei, daqueles insetos que insistem em aparecer e causam arrepios, de olhar para tudo e para o nada. A saudade tomou conta do meu ser como uma avalanche, por inteiro, não pediu licença e se instalou, mas principalmente, sinto saudades de estar com aqueles que mais amo, de jogar conversa fora, de tomar chimarrão, tomar café juntos, comer pipoca ou mesmo de ficar em silêncio, assistindo televisão. Um sentimento que dói e faz com que as lágrimas caiam, mesmo que eu diga: “não, não chora, pois como tudo na vida, vai passar e vocês irão se encontrar novamente e aí irão perceber que o trajeto do percurso é mais importante que a linha de chegada e não precisa se apressar e querer chegar primeiro visto que estamos no mesmo compasso ou pelo menos deveríamos”.

Ana Paula Emmendorfer (Professora de Filosofia e Lógica – Doutora em Filosofia/Unisinos-RS)

Foto: Pixabay

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