HU-Furg está no limite do estoque de kit intubação

O Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Jr. da Universidade Federal do Rio Grande (HU-Furg), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), está, a partir desta segunda (05/04) no limite do estoque de medicamentos anestésicos, sedativos e bloqueadores neuromusculares necessários para cirurgias e intubação de pacientes. Conforme explicou a Instituição, esses medicamentos tiveram aumento na demanda, devido ao grande número de pacientes intubados e em ventilação mecânica acometidos pela covid-19, sendo prioridade o atendimento desses casos.

Em nota enviada pelo hospital, a superintendente do HU-Furg, Sandra Brandão, explicou que em fevereiro deste ano, contavam com um estoque de medicamentos suficientes para suprir quatro meses de atendimento. O cálculo, segundo Sandra, estava baseado no número de pacientes intubados atendidos no pior momento da pandemia em 2020. A superintendente destaca, no entanto, a piora da situação dos atendimentos e internações em relação ao cenário do ano passado. A média de pacientes intubados no hospital era de 3 pessoas e nesta segunda-feira (05/04), possuíam 13. Em consequência desse agravamento, o estoque que era para quatro meses, durou apenas três semanas.

Tentativas de aquisição e pedido de ajuda aos órgãos de saúde

O HU-Furg buscou a aquisição dos medicamentos, através de dispensa de licitação por meio de chamamento público, a partir de contato com fornecedores, e, com atuação da Ebserh, estatal vinculada ao MEC que administra HU, mas, segundo o hospital, não houve interessados. A dificuldade em comprar esses medicamentos, é devido a alta demanda apresentada nos hospitais do país, provocando escassez do Kit Intubação.

O HU-Furg enviou ofício em 29 de março, relatando a grave situação de falta dos medicamentos para a 3ª Coordenadoria Regional de Saúde e para a Secretaria Municipal da Saúde, mas não obteve retorno.

Na quinta-feira, 01 de abril, de acordo com o Gerente de Atenção à Saúde, Fábio Lopes, o hospital contava com estoque de medicações para mais quatro dias, considerando somente o número de pacientes internados naquela data.

Portanto, na quinta, o hospital decidiu e informou as autoridades locais a suspensão de atendimentos de todas as cirurgias e procedimentos endoscópicos, com exceção dos casos de emergência.

Lopes ainda alertou que caso não houvesse reposição dos estoques na quinta-feira, os pacientes que necessitassem de tratamento de terapia intensiva em razão da covid-19, deveriam ser encaminhados para outras instituições de saúde, pelos órgãos reguladores de atendimento pré-hospitalar.

O que diz a Secretária Estadual da Saúde (SES/RS)

A Secretaria Estadual da Saúde, em resposta ao nosso contato, justificou que o Estado tem feito o possível, enviando os medicamentos e que há muitos hospitais em situações críticas, infelizmente. A compra de medicamentos é de responsabilidade das instituições, mas segundo a SES RS, está tentando ajudar, de forma excepcional, comprando e enviando medicamentos.

O que diz a 3ª Coordenadoria Regional de Saúde (3ª CRS)

A 3ª Coordenadoria Regional de Saúde explica que foi comunicada pelo hospital desta situação e que isso ocorre no país todo, a maioria dos hospitais estão passando por esse problema. A 3ª CRS diz que não tem previsão de chegar para o Estado mais medicações, e assim que chegar, será feita a distribuição aos hospitais. No entanto, não possui data para isso acontecer. Segundo informa, houve tentativa em realizar o remanejo com os hospitais da região, mas eles também não tem medicação para ceder. Caso estes pacientes precisem ser remanejados, e sobre a possibilidade ou não de internação em outras instituições, a 3 CRS diz que passou a demanda para a regulação estadual (responsável pela transferência de pacientes na fila de espera de UTI).

O que diz a Secretaria Municipal da Saúde (SMS)

A Secretaria Municipal da Saúde informa que realizou um manifesto solicitando ao Estado a inclusão do HU-Furg na distribuição do Kit Intubação. Segundo a SMS, os kits estão em falta no mercado e não estão sendo disponibilizados aos fornecedores. Há duas semanas, explicam que teve uma situação semelhante com a Santa Casa do Rio Grande, e neste caso, o município forneceu alguns itens e o Estado também. Inclusive, com remanejo de outros hospitais da região. No entanto, conforme a SMS a situação agora é pior, pois não há de onde buscar estas medicações se não no Ministério da Saúde. Houve tentativas junto à Instituições de saúde do Uruguai, Paraguai e Chile, porém, informaram não poder auxiliar. A SMS explica que já informou a situação de falta de medicamentos ao Ministério Público Federal e Ministério Público Estadual.

Até o fechamento desta reportagem o HU-Furg ainda não possuía nenhum retorno ou expectativa sobre recebimento de medicações, com solução para a grave situação. Se houver mudança deste cenário, informaremos brevemente.

Jornalista Thuanny Cappellari/RIO GRANDE TEM

Foto: Divulgação HU-Furg

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