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FURG divulga 3º boletim de acompanhamento do Evento Extremo que atinge o Estado

Cenário é de estabilidade do nível do estuário, com um quadro de vazante normal

Na noite deste domingo, 5, o Comitê de Avaliação e Prognóstico de Eventos Extremos da FURG divulgou o terceiro boletim de acompanhamento do Evento Extremo que atinge o Estado desde a semana passada. O documento, disponível ao final deste texto, considera as observações realizadas ao longo do dia, as quais apontam para um cenário de estabilidade do nível do estuário, com um quadro de vazante normal. Ainda segundo o relatório, os volumes de água da bacia do Guaíba, ao norte, ainda não produzem efeitos na cidade do Rio Grande, no entanto, o grupo prevê que os impactos podem ser sentidos em breve.

Detalhamentos e medições

O primeiro gráfico do relatório faz correspondência ao gráfico divulgado no último sábado, 4, que dá conta de demonstrar a variação do nível da água no estuário. As informações registradas foram medidas pelo linígrafo do CCMAR, e apontam para a estabilização – com um máximo na cota de 1,50 metros. Os dados mostram, ainda, que na tarde deste domingo o nível esteve estático, considerada a média da variação devida a pequenas ondulações produzidas pelo vento nordeste, que também esteve com moderadas intensidades. Este cenário não coloca nenhum segmento da área urbana municipal em condição crítica.

Uma das novidades deste terceiro boletim é a adição de informações produzidas pelo marégrafo do SiMCosta, responsável pela medição do nível do Canal do Porto do Rio Grande, entre os Molhes da Barra. Na imagem disponível no documento, estão destacadas variações no comportamento deste segmento desde o dia primeiro de maio. Destaca-se que, durante a manhã do último sábado, 4, o nível da água entre os molhes oscilou abaixo de 1,40 metros, enquanto nos dias anteriores as máximas chegaram a 1,90 metros.

Esse sinal guarda correlação com o nível do mar na costa, com a velocidade e direção do vento, e com o volume de água que força a vazão pela Barra do Rio Grande. Essa é uma condição do sistema que pode atenuar o impacto da onda de inundação que deve chegar a nosso estuário em alguns dias.

Enchente de 1941

O quarto item do boletim faz menção a outra passagem de Evento Extremo no Estado, a enchente de 1941. Na ocasião, após uma chuva de 24 dias, a capital Porto Alegre recebeu uma inundação histórica quando as águas do Rio Guaíba registraram o pico de 5,30 metros. Em Rio Grande, os efeitos foram sentidos com uma enchente de iguais proporções, afetando grande parte do município com efeitos sentidos a partir do cais em frente ao Mercado Público, pela rua Riachuelo e toda extensão da margem do Canal.

O documento deixa claro que não existem indicações científicas de que os impactos sentidos em 1941 poderão se repetir, inclusive, existe uma certa probabilidade de que os efeitos ainda ultrapassem os registros da época. Confira as imagens no boletim ao fim desta matéria que simulam os efeitos da enchente em zona central da cidade e em detalhes da região histórica, ao redor da Praça Xavier Ferreira.

Comparações: Porto Alegre x Rio Grande

Ainda sobre a enchente de 1941, muito se tem divulgado que o cenário atual remete a um quadro similar – ou ainda mais grave – do que o registrado durante a passagem do evento histórico. Porém, o boletim propõe o contraponto, destacando que “isso também se deve às alterações significativas na cobertura do terreno na região metropolitana”. A explicação é complementada por meio de imagens de satélite, em escala, que comparam as superfícies cobertas pelos corpos do Rio Guaíba e da Lagoa dos Patos.

Neste quesito, o Comitê dedica atenção para a topografia dos terrenos, bastante diferentes entre si, bem como a rede de drenagem dos territórios, que também são muito distintas. Dessa forma, exclui-se o senso comum de que o fenômeno que atinge a capital e a zona metropolitana de Porto Alegre deve se repetir em Rio Grande. No entanto, justamente pela topografia de nossa planície costeira, o volume que extravasa os limites normais do estuário tende a atingir áreas maiores, porém, com lâminas d’água menores. Este cenário será simulado no próximo boletim.

Ainda em comparação, quando observadas as topografias e as peculiaridades de cada região, cabe destacar alguns elementos de associação. Por exemplo, em ambos sistemas há um estrangulamento físico na ligação com o corpo d’água receptor. No Guaíba existe o estreito de Itapuã; aqui, os Molhes da Barra. Esses elementos físicos possuem uma vazão de escoamento natural máxima que suportam e assim garantem equilíbrio aos sistemas hídricos.

No atual cenário, tal vazão vem sendo ultrapassada no Norte, e, ainda nesse momento, não se pode dizer o tempo que levará para voltar ao regime normal. O boletim destaca que, em Rio Grande, de forma similar, tal equilíbrio nunca foi submetido ao volume de águas que se aproxima; e, por isso, toda atenção e cuidado se torna essencial para preservação da população.

Vento: condição

Em relação ao vento no largo da costa – parâmetro fundamental para nossa segurança durante o período – os modelos numéricos de previsão indicam que, no curso dos próximos três dias, não devem ser observados ventos do quadrante sul (sudoeste/sudeste). Na próxima quinta-feira, 9, há um indicativo de após a rápida passagem de uma frente-fria pela região, o vento mude sua direção e intensidade, alterando-se para quadrante leste. O cenário projetado é importante, e, caso se sustente, configura uma boa notícia para o período.

→ Boletim 03 – Comitê de Avaliação e Prognóstico de Eventos Extremos

Secom FURG

Foto: FURG

 

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