Enfermeira vacina a neta contra a covid-19 em Rio Grande

“Um dia a mais pode ser tarde. Se é hoje, vamos ficar aqui até chegar nossa vez.” Lauren André (13 anos)

Aguardar o tão esperado momento da vacina contra a covid-19 é uma ansiedade que muitos já vivenciaram, mas e se você tivesse a oportunidade de vacinar um familiar? É o que aconteceu com a enfermeira Carla André que teve a alegria de aplicar a primeira dose da vacina contra a covid-19 em sua própria neta, a Lauren André de 13 anos, que faz parte do grupo de comorbidades.

Emocionada, ela nos conta não só da tão aguardada primeira dose da neta, mas a sua contribuição como profissional de saúde em um dos momentos mais difíceis que o mundo todo atravessa.

Carla tem 50 anos, completou em março e faz questão de destacar: “Fiz em março, sem festa, mas celebrando muito em estar com saúde junto aos meus familiares”.

Ela é servidora pública do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) em Rio Grande, e metade de sua idade já dedica a atuação na enfermagem. Carla explica que pelo contexto da pandemia, o IFRS está com as atividades remotas, e assim como já ocorreu em circunstâncias anteriores, há um pacto entre o município e IFRS para que os servidores integrem a força tarefa pela saúde. E por isso, ela compõe a equipe de vacinação contra a covid-19.

“É um momento de união, de força, para que a gente possa passar por isso. Para que se tenha uma perspectiva de dias melhores pra todos nós. É uma questão de consciência pessoal e profissional. Cada um colabora com o que tem a oferecer. E o que tenho para oferecer é isso, sou enfermeira. É o que eu podia colaborar com as pessoas, com o meu trabalho”, nos conta com a voz embargada.

“Desde de fevereiro passamos a ser colaboradores na vacinação. Estou representando a colaboração do IFRS vacinando. O momento pede união de forças para se conseguir dar conta de tanto trabalho e ter êxito nesta luta contra a covid-19. É importante que cada indivíduo faça sua parte. Minha parte além dos cuidados pessoais e com minha família é o compromisso profissional como enfermeira e servidora pública de colaborar no combate desta doença que é tão cruel. Trabalhando escuto tantas histórias tristes que se eu puder colaborar um pouco que seja em diminuir os impactos desta pandemia já me sinto melhor como pessoa e profissionalmente.”, desabafou.

Como foi quando você ficou sabendo que iria vacinar sua neta?

Quando foi liberado para a vacinação do grupo de 12 a 17 anos com comorbidades fiquei muito feliz, pois tinha muito receio por ela. Quando fui escalada para vacinar este grupo, meu coração acelerou. Fui cedo para fila para guardar o lugar da Lauren. Pegamos até chuva, mas ela não quis deixar para outro dia, dizendo: “Um dia a mais pode ser tarde. Se é hoje, vamos ficar aqui até chegar nossa vez.”

Perto do horário de iniciar a vacinação, o avô dela a acompanhou na fila. E eu entrei para iniciar o trabalho. Quando chegou a vez da minha neta, ela foi direcionada para a sala que eu estava atendendo. Foi emocionante vaciná-la, saber que ali estávamos tendo uma chance a mais para ela não ter a covid em sua forma mais grave. É um passo, mas muito importante. Continuamos cuidando dela e logo fará a segunda dose. Foi impossível conter as lágrimas naquele dia, é mais que uma vacina, é uma gota de esperança de dias melhores, de poder vê-la seguindo o curso da vida. Já que andava até triste, melhorou, porque neste momento se pode pensar em futuro, até então o sentimento de insegurança e incerteza batia mais forte.

E o momento da vacinação, como foi?

Felicidade de vê-la iniciando o processo de imunização. Alegria de ter sido eu a aplicar, pois somos muito ligadas uma a outra. Esperança de retomada da vida. A maioria dos dias parecem iguais e cinzas pelo distanciamento que precisamos manter de quem amamos. Expectativa de futuro, sobrevivência a um momento tão difícil.

Como tu esperas encontrar o mundo após a pandemia?

Espero que as pessoas tenham repensado um pouco seus valores, que o foco do ser humano seja mais “ser” do que “ter”, pois a vida é muito frágil.

O que tu dirias para quem ainda reluta em se vacinar contra a covid-19?

Por favor, não relute contra a ciência, vacinas são seguras e salvam vidas. Quanto mais pessoas vacinadas menos impactos esta doença trará para o mundo. Covid não é uma doença individual, e sim do coletivo. Não seja egoísta, pense no todo e não em uma única partícula, porque cada indivíduo é uma partícula deste todo e juntos somos mais fortes.

A Carla continua atuando em prol da vacinação contra a covid-19. Agradecemos a ela e todos os profissionais atuantes na saúde que dedicam as suas vidas aos outros. Que possamos enxergar um futuro de reencontros, abraços e convivência com quem mais amamos.

Jornalista Thuanny Cappellari/RIO GRANDE TEM

Foto: Arquivo Pessoal/Carla André

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