“Em que espelho ficou perdida a minha face?”: exposição fotográfica em Porto Alegre dá visibilidade às mulheres 50+ e 60+
Mostra itinerante reúne 23 obras em preto e branco e propõe um manifesto visual contra a invisibilidade do envelhecimento feminino
O que acontece com a mulher quando a sociedade considera que ela se tornou invisível? É dessa inquietação que nasce a exposição fotográfica “Em que espelho ficou perdida a minha face?” – ơtulo inspirado na poesia ‘O Retrato’ de Cecília Meireles -, que ocupa a Casa na Surdina, em Porto Alegre, de 18 a 27 de setembro de 2026. A mostra reúne 23 obras de modelos 60+, em preto e branco, assinadas por um corpo de fotógrafas também 60+ que transformaram o envelhecer em ato político de permanência, voz e direitos; além de outras 10 fotos complementares, banners conceituais, intervenções textuais e objetos do cotidiano feminino ressignificados.
Inspirada na obra de Simone de Beauvoir, a exposição denuncia o que a curadoria chama de “dupla vulnerabilidade” da mulher madura: o encontro do preconceito de gênero com o etarismo. Contra esse apagamento, o projeto propõe o conceito do Envelhe-SENDO, um manifesto visual para que o envelhecer seja vivido como protagonismo, e não como desaparecimento. “A fotografia é a literatura do olhar”, a afirmação de Remy Donnadieu, que inspirou a mostra, a partir de uma narrativa visual que documenta e celebra a história da mulher madura contemporânea.
Pelas lentes e corações de Beatriz Thiesen e Karla Nyland, acompanhadas da sensibilidade de Magda Martins Costa e Maria Elisa Faccioli, a exposição volta-se à história da mulher contemporânea 60+, convertendo o que antes era ignorado em narraƟva visual de celebração e
resistência. “No processo de Envelhe-SER, a Mulher se redescobre e recomeça. Depois dos 60, depois de conquistas, dores e perdas, a maturidade se revela como oportunidade de libertação das tantas amarras que nos foram sendo impostas desde cedo e desde sempre”, afirma a curadora Conceição Mondini.
Programação
A abertura oficial acontece na sexta-feira, 18 de setembro, das 17h às 22h, com o ritual do “Chá das 5”, uma estratégia de gênero que remete ao século XIX, quando comandar a cerimônia do chá permitia às mulheres exercer autoridade em espaços restritos ao universo masculino.
A visitação pública segue de 19 a 27 de setembro: de segunda a sexta, das 16h às 21h; sábados e domingos, das 14h às 20h.
A mostra é acompanhada por uma programação de rodas de conversa, de segunda a sexta, das 18h30 às 20h, sobre direito, invisibilidade, sexualidade, redução de danos do silêncio e da solidão, a casa lugar que nos abraça; arteterapia e plasƟcidade. E de duas oficinas – com valor de troca – de autorretrato com Karla Nyland e Margareth Osório e caleidoscópio com Luciana Delacroix. O bate-papo contará com a presença de Gustavo Saar Gemignani (advogado); integrantes do Grupo Mover; Alice e Mulheres Inquietas; Sueli Souza dos Santos (psicanalista e escritora); Miriam Nilles (psicóloga e proprietária da Casa Surdina de Arte); Luciana Delacroix; Jacqueline Ruhe e Claudia Regina da Silva.
Ficha técnica
Exposição: “Em que espelho ficou perdida a minha face?” Curadoria: Conceição Mondini
Coordenação geral: Beatriz Thiesen, Karla Nyland e ColeƟvo Na Surdina Fotógrafas: Beatriz Thiesen, Maria Elisa Faccioli, Magda MarƟns Costa e Karla Nyland Apoiadores: Livraria Hippocampus, Galeria Pepita e Tarja Preta Design
Local: Casa na Surdina — Rua Fernando Machado, 707, Centro Histórico, Porto Alegre/RS
Período: 18 a 27 de setembro de 2026
Abertura: 18 de setembro, das 17h às 22h
Visitação: seg. a sex., 16h às 21h; sáb. e dom., 14h às 20h
Entrada: Gratuita
Mais informações: facesdoenvelhe.ser@gmail.com
Instagram: @facesdoenvelheser
Assessoria de Imprensa – Daia Roldão
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