Em live, Prefeitura e AMAR debatem políticas públicas sobre o Espectro Autista

Na noite desta terça-feira (06), a Prefeitura do Rio Grande realizou a primeira de uma série de lives previstas para o mês de abril, atividade que compõe a programação ao Mês de Conscientização sobre o Espectro Autista, e é alusiva Dia 02 de Abril, Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Na oportunidade, o prefeito Fábio Branco e a secretária de Saúde, Zelionara Branco dialogaram com o Presidente da Associação de Pais e Amigos dos Autistas do Rio Grande (AMAR), Gilton Mendonça, e debateram temas a respeito da realidade dos autistas em nosso município.

O Presidente da AMAR foi convidado para falar sobre seu conhecimento técnico e experiência no trabalho com autistas, e defendeu a implantação de métodos de diagnóstico precoce e a criação de uma política municipal dedicada à área. “Quanto mais cedo a gente descobrir os sinais de alerta do autismo, já podemos começar, na base, a fazer a intervenção.  Trabalhar comunicação e socialização e também o comportamento é a base para dar uma melhor qualidade de vida para a pessoa com autismo e para a família dela também. Por isso é importante a tomada de consciência e de conhecer os números do autismo na cidade. Ninguém consegue gerenciar aquilo que a gente não conhece. O meu pedido a gestão é que faça o cadastro, e que a comunidade participe, que faça o rastreamento através do M-chat, e quem já tem o diagnóstico que participe do cadastro, participe desse momento de fazer política”, frisou.

Para Mendonça, a comunidade deve buscar conhecimento e lutar por qualificações e não ficar esperando por mudanças.  “O dia mundial de conscientização do autismo é um dia de luta, de tomada de consciência. Eu peço para a comunidade que busque ver a realidade. A realidade é que falta muita coisa.  A nossa luta é para que as pessoas não esperem no sofá para que as leis saiam do papel. O pessoal tem que participar, se envolver com o processo decisório, de forma educada e técnica. A gente está tentando acabar com a politicagem sobre o autismo e começar a criar políticas que resolvam os problemas. A comunidade precisa saber que existem famílias que convivem com o autismo, e que é uma deficiência. Ou seja, a pessoa com Espectro Autista não está em igualdade de condições. A alienação da comunidade é a primeira coisa a ser combatida”, afirmou.

Ainda sobre o tema, Gilton ressaltou que as ações de cuidado devem incluir a família como um todo, pois, segundo ele, “em famílias vulneráveis, a situação onde existe uma pessoa com autismo é ainda pior”. “Nosso recurso é insuficiente para a demanda, principalmente para o atendimento socioassistencial. A família fica tão desorganizada que não consegue mais nada. É uma bola de neve. Adoece a pessoa com autismo, a família e todos ao redor, pois provavelmente a pessoa está sem terapia. Não vai ser o poder público sozinho que vai resolver, não tem orçamento. Também não vai ser só os empresários, ou só as pessoas sozinhas. Precisamos estar todos juntos”, disse.

Município planeja ações para qualificar o atendimento

Conforme explicou a secretária Zelionara, a SMS já atua com um planejamento dividido em três etapas, com objetivo de qualificar o atendimento em Rio Grande.  O primeiro visa o diagnóstico. A Prefeitura já disponibilizou em seu site oficial a Escala M-chat, formulário utilizado internacionalmente para o diagnóstico precoce do transtorno. Nele são apresentadas 23 questões, que devem ser respondidas por pais ou responsáveis de crianças entre 16 e 30 meses. As perguntas são sobre o comportamento observado na criança. “A criança apresenta um comportamento e é isso que vai auxiliar no preenchimento do formulário, para identificar alguma alteração, algo que chame a atenção e que precise ser monitorado ou acompanhado”, disse. A Escala M-chat está disponível AQUI.

Em um segundo momento, será divulgado outro questionário, com o objetivo de identificar os casos diagnosticados. Segundo a secretária, nele o familiar ou responsável irá preencher e apresentar atestados ou laudos, informações que podem auxiliar a identificar o transtorno e, consequentemente, melhorar o atendimento prestado.

Já a terceira etapa seria focada no rastreio nas unidades de saúde. “Quando a criança chega para fazer um acompanhamento pediátrico, o profissional pode aplicar um instrumento e registrar no prontuário, para que possamos fazer um monitoramento. Muitas vezes uma avaliação apenas não é suficiente. Talvez sejam necessárias outras etapas para poder identificar se é necessário continuar o acompanhamento, se a suspeita se confirma ou é descartada. Então partimos para um processo de monitoramento, estimulação e identificação do tipo de transtorno”, argumentou.

Além disso, a secretária acrescentou outras ações que estão sendo planejadas para melhorar a oferta do serviço. “Nós estamos desenvolvendo uma proposta que é a questão da carteira de identificação dos pacientes, para que isso possa também facilitar o acesso ao serviço. Estamos fazendo uma readequação do programa da pessoa com deficiência, readequando equipe. Temos um projeto de atuar com as equipes de saúde, melhorar o preparo dos profissionais para lidar com o tema”, adicionou.

Prefeito destaca importância do levantamento de dados para a formulação de políticas públicas

Conforme Branco, o convite ao presidente da AMAR faz parte da iniciativa do governo municipal de desenvolver o diálogo com associações e representantes, para a proposição de ações, estratégias e maior mobilização da comunidade “Enquanto nova gestão, uma das nossas primeiras ações é um trabalho integrado com as associações , para a partir de uma identificação de que público é esse, quantas pessoas são, poder desenvolver o trabalho, estabelecer uma política pública que vai atender essa comunidade”, salientou.

A respeito do tema do Espectro Autista, o prefeito ressaltou a importância da identificação precoce, e relacionou a ideia com uma outra proposta de governo. “Neste ano vamos lançar um programa novo da nossa gestão, um ‘cadastro multifinalitário’. Com isso vamos conhecer as pessoas do município do Rio Grande. Isso vai possibilitar identificar quem são as pessoas atendidas pela educação, pelas unidades básicas de saúde, que necessitam de atendimento e efetivamente quem vive no município. Eu assumi esse compromisso com o objetivo de que a gente possa integrar os dados”, disse.

A respeito das demandas e sugestões apresentadas no debate, Fábio Branco se mostrou motivado a procurar soluções. “Entendi da necessidade da gestão, como um todo, se preparar. Não vamos conseguir resolver tudo ao mesmo tempo, mas precisamos da tomada de decisão, e o identificar, para nós, é o prioritário. Quando a gente identifica, podemos trabalhar com um todo. Uma das cobranças é que as políticas não fiquem só nos discursos, tem que ir para prática. E é importante estarmos ouvindo quem está na ponta, para que possamos melhorar em termos de gestão pública. Hoje o poder público tem cada vez menos capacidade de atendimento sozinho. Agora, nós, unidos, temos capacidade maior de integração e de solução”, afirmou

O presidente da AMAR, finalizando sua fala, ainda acrescentou que a Associação teve que deixar sua atual sede e que atualmente está sem espaço para as atividades. O prefeito Fábio Branco respondeu que assumiria o compromisso de buscar a resolução da situação e disse que “a administração entende que é obrigação do município dar condições de um bom atendimento”.

Assessoria de Comunicação Social – Prefeitura Municipal do Rio Grande

Foto: Reprodução

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