Basta que abras a boca pra falar

Anseias tu pelo baque final. Ou intermediário, ou inicial, tanto faz; pelo baque, anseiam todos.

Há que se ter o baque surdo da queda, da queda brutal e mal calculada no chão duro. Há que se ter o momento de espanto, de um atávico “mas…” que te possa certificar da vida e da vida que te passa e da vida que tu perdeste. Ou da vida que tu ganhaste. Do vivido. O momento único, sempre irrepetível, em que tu não saberias dizer o que tu vês na reta dos teus olhos, bem debaixo dos teus dedos que tremem, da língua que anseia pela palavra.

Pela palavra que não vem. Pela palavra que tu não tens.

Pela palavra que ainda não existe, pois não é sabia ao todo. Não é sentida ao todo. Nunca fora articulada pela tua boca vermelha.

Da crise, a palavra que espera na glote há de te salvar.

Autor: Eduardo Moll/Inspira

Foto: Pixabay

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