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13 de Maio de 1888 – abolição da escravatura: realidade ou ilusão?

Até pouco tempo atrás, o 13 de Maio era comemorado na rede escolar como o dia em que a princesa Isabel – a “Redentora”, como ficou conhecida –, libertou os escravos do cativeiro (excluindo-se todo o protagonismo negro no processo); inclusive, nos livros didáticos, quase que, invariavelmente, era apresentada “como uma princesa muito boa” (Livro Caminho Certo, 1988). Contudo, passados 133 anos da abolição da escravatura, no país, torna-se oportuna a realização de algumas reflexões sobre o tema.

Neste sentido, a temática escolhida como samba-enredo da Estação Primeira de Mangueira (que aqui, é parafraseado no título deste pequeno texto), em 1988, continua muito atual. Naquele momento, Jamelão cantava: “Será que já raiou a liberdade, ou se foi tudo ilusão? Será, oh, será que a Lei Áurea tão sonhada, há tanto tempo assinada, não foi o fim da escravidão?”.

Após 33 anos do samba-enredo, pouco ou nada mudou; inclusive, algumas questões ali apontadas, acentuaram-se! Ainda mais quando se pensa no atual contexto da pandemia do Covid-19, o qual atinge de modo completamente desigual negros e brancos e os exemplos desta disparidade são inúmeros. E, para citar alguns, apontam-se dados como a manchete do Portal G1, a qual informa que “pretos têm 62% mais chance de morrer de Covid-19 em São Paulo do que brancos” ou, o fato de que o “número de estudantes não brancos sem atividade escolar durante a pandemia é quase o triplo de brancos”. Em outras palavras, a pandemia do novo coronavírus acentuou ainda mais as desigualdades, sejam elas sociais, econômicas e/ou culturais, no território brasileiro, fazendo com que a população negra seja a mais atingida pela pandemia. E esses são apenas alguns pontos indicados para a análise; aqui, por exemplo, não se levou em consideração a triste realidade de que os assassinatos de negros aumentaram cerca de 11,5%, no período de dez anos, e que o número de não negros, caiu 12,9% (Atlas da Violência, 2020). Diante destes dados, fica a pergunta: onde está a liberdade?

O fato é que o contexto imortalizado pela voz do Jamelão, em 1988, ainda é vigente, tendo em vista a atualidade de versos como “hoje dentro da realidade, onde está a liberdade, onde está que ninguém viu”. Que este dia 13 de Maio de 2021 nos oportunize um espaço para a reflexão e novas atitudes frente a ilusão da abolição!

Autora: Carmem Schiavon (Professora de História/FURG)

Foto: Pixabay

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