Prefeitura do Rio Grande solicita ao Governo Federal repatriação de artefatos sagrados do Batuque que estão no Museu de Berlim
No Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, lembrado em 21 de março, a Coordenadoria Municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Prefeitura do Rio Grande encaminhou um ofício à ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. O documento formaliza a solicitação para que o Ministério articule a repatriação de artefatos sagrados do Batuque do Rio Grande do Sul, atualmente sob guarda do Museu Etnológico de Berlim, reconhecendo sua importância cultural, histórica e espiritual para as comunidades afro-brasileiras.
A solicitação é fundamentada em um dossiê que documenta a apreensão violenta de 67 artefatos afro-brasileiros no final do século XIX, durante uma cerimônia religiosa no Rio Grande do Sul. Posteriormente, os itens foram enviados à Europa, em 1880. Conforme destaca a coordenadoria municipal, os objetos representam memória, ancestralidade e cultura afro, sendo portadores de axé e saberes ancestrais, e não meramente peças de coleção.
De acordo com a justificativa apresentada ao Ministério da Igualdade Racial, o percurso histórico do acervo evidencia um contexto de violência, criminalização e apropriação colonial, caracterizando um processo de saque espiritual e racismo institucional que demanda reparação. O texto também ressalta que a restituição está alinhada ao reconhecimento internacional da escravização como crime contra a humanidade, reforçando a responsabilidade de promover justiça histórica às populações afrodescendentes.
O titular da coordenadoria no Rio Grande, Chendler Siqueira afirma que o Brasil carrega um histórico de perseguição às religiões de matriz africana, marcado por repressões, destruição de objetos sagrados e criminalização. Para ele, esse cenário precisa ser enfrentado por meio de políticas de reparação. “A restituição desses artefatos é um ato de justiça, reconhecimento e valorização das contribuições afro-brasileiras na formação cultural, social e econômica do país”, destaca.
Siqueira enfatiza o simbolismo da data para o encaminhamento da solicitação. “Não basta apenas marcar esta data, é preciso agir. Por isso, protocolamos hoje o pedido ao Governo Federal para iniciar o processo de articulação internacional visando à repatriação desses itens, que seguem na reserva técnica do museu em Berlim”, afirma. Ele acrescenta que a participação do Município nesse processo representa o reconhecimento de uma trajetória histórica de luta, destacando o Rio Grande como berço nacional do Batuque e referência estadual da Umbanda.
O gestor ressalta ainda que o Município possui um compromisso histórico com a população negra, considerando seu papel no período da escravização. A iniciativa, reforça, reafirma o compromisso da administração municipal com a promoção da justiça racial e social, por meio de políticas públicas afirmativas e reparatórias.
Massacre de Sharpeville
O Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em memória ao Massacre de Sharpeville, ocorrido em 21 de março de 1960, na África do Sul. Na ocasião, cerca de 20 mil pessoas protestavam pacificamente contra a Lei do Passe, que restringia a circulação da população negra durante o regime do Apartheid. A manifestação foi reprimida com violência pelas forças do Estado, que abriram fogo contra a multidão. O ataque resultou na morte de 69 pessoas e deixou outras 186 feridas, tornando-se um marco na luta internacional contra o racismo e a segregação racial.
Assessoria de Comunicação Social Prefeitura Municipal do Rio Grande
Foto: Divulgação
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