MPRS lança cartilha “Não é Drama, é Violência” para adolescentes durante palestra em escola da Capital
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) realizou, nesta segunda-feira, 9 de março, uma palestra para adolescentes no Colégio João Paulo I – Unidade Sul (JPSul), localizado na zona sul da Capital. A atividade ocorreu a pedido da instituição de ensino e foi conduzida pela promotora de Justiça Carla Frós, reunindo meninas de 14 a 18 anos.
Na ocasião, também foi feito o lançamento oficial da cartilha educativa “Não é Drama, é Violência”, distribuída gratuitamente aos estudantes. Voltado ao público adolescente, o material apresenta orientações sobre como identificar situações de violência de gênero, reconhecer sinais de abuso, buscar ajuda e acessar os canais de denúncia. A personagem Luma Valente, protagonista da publicação, conduz temas como violência física (com e sem marcas), violência sexual, incluindo beijos forçados, toques sem consentimento e pressão para envio de nudes e relacionamentos abusivos.
Durante a palestra, a promotora de Justiça Carla Frós, coordenadora da Central de Atendimento às Vítimas de Porto Alegre, alertou para o aumento dos casos de feminicídio no Estado – 20 mulheres já foram assassinadas em 2026 – e destacou que adolescentes também são vítimas de relações violentas. “Temos que falar sobre esse assunto. As meninas precisam saber que violência não é só física, é também psicológica e que pode ocorrer em qualquer ambiente: em casa, na escola ou nas redes sociais. É fundamental que nossos adolescentes compreendam que violência não é normal e nunca deve ser tolerada. Cada jovem precisa identificar sinais de controle, ciúme, pressão e desrespeito, e entender que tem direito a ajuda, proteção e acolhimento.”
Carla Frós destacou ainda algumas orientações presentes na cartilha: ciúme “fofo” pode virar controle; pedidos insistentes de localização podem evoluir para perseguição; e frases como “ninguém vai te amar como eu” podem se transformar em ameaça. O material também orienta sobre como agir: falar com alguém de confiança, uma amiga, uma professora, a mãe, uma irmã ou psicóloga. Ligar para o número 180 ou procurar a Promotoria de Justiça mais próxima.
A psicóloga do colégio, Vitória Aguiar, ressaltou a importância da iniciativa e do diálogo dentro da escola. “Trazer esse tema para as meninas é fundamental para fortalecer a consciência e a proteção desde cedo. Foi um encontro muito significativo, que abriu espaço para conversas necessárias. E esse movimento continuará: em um segundo momento, o debate também será levado aos meninos, porque todos precisam compreender o que é violência e como enfrentá-la”, disse.
Universo MPRS – Superpoder é Denunciar
A personagem Luma Valente, que protagoniza a cartilha, é a primeira super-heroína do Universo MPRS, projeto criado para conscientizar crianças e adolescentes sobre temas sensíveis e urgentes. Com 15 anos, Luma possui o “olhar da coragem”, superpoder capaz de enxergar sofrimentos invisíveis, especialmente entre meninas que enfrentam medo, tristeza ou violência.
Inspirada em elementos das histórias em quadrinhos da Marvel e da DC Comics, a personagem foi desenvolvida pelo Gabinete de Comunicação Social (GabCom) da instituição, em parceria com os Centros de Apoio Operacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher (CAOEVCM) e da Educação, Infância e Juventude (CAOEIJ). O nome “Luma Valente” foi escolhido por votação nas redes sociais do MPRS, ampliando o engajamento do público jovem.
O projeto conta também com um vídeo que apresenta a personagem e marca o início de uma trajetória de educação, prevenção e protagonismo juvenil no enfrentamento à violência contra meninas e mulheres.
Para a promotora de Justiça Cristiane Corrales, coordenadora do CAOEIJ, o lançamento reforça o compromisso do MPRS com a proteção e a conscientização de adolescentes: “Este é um momento de muita alegria. O MPRS lança uma cartilha voltada para a prevenção da violência de gênero, desenvolvida dentro do grande projeto Universo MPRS. Diante de tantos casos envolvendo meninas e adolescentes, é essencial conscientizar. A cartilha foi pensada para jovens a partir dos 14 anos, meninos e meninas, para que identifiquem violências e saibam quais caminhos seguir. As escolas são espaços de proteção, reflexão e formação de valores, por isso, esta iniciativa é tão importante.”
A promotora de Justiça Ivana Battaglin, coordenadora do CAOEVCM, ressaltou a importância do material chegar ao público certo: “Finalmente essa cartilha linda, com linguagem acessível e que conversa com os adolescentes, chega às mãos de meninas e meninos. A violência de gênero está presente na vida de muitas pessoas, e precisamos falar sobre isso de maneira lúdica, clara e responsável. Essa conversa precisa acontecer na escola, por isso hoje é um dia tão significativo.”
Ascom MPRS
Foto: MPRS
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