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Grupo de Pesquisa em Economia Azul da FURG recebe o Prêmio ANTAQ 2025

Esse é o terceiro ano consecutivo em que a Universidade vence na categoria Artigos Técnico-Científicos

Na noite desta terça-feira, 10, em Brasília, a Agência Nacional dos Transportes Aquaviários (ANTAQ) realizou a 10ª edição do Prêmio ANTAQ, destinado ao reconhecimento de importantes atores ligados ao setor aquaviário nacional. Ao todo, foram premiadas 25 empresas, instituições e pessoas, entre elas o Grupo de Pesquisa em Economia Azul da FURG (GPEA), vencedor da categoria Artigos Técnico-Científicos. Esse é o terceiro ano consecutivo em que a Universidade conquista o prêmio.

“Esta é uma premiação que a FURG conquista pelo terceiro ano consecutivo. Nos dois primeiros anos foram trabalhos que eu submeti, e, agora, o reconhecimento é fruto de um trabalho desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa em Economia Azul, com o suporte do Centro Interinstitucional de Observação e Previsão de Eventos Extremos (CIEX) e da Portos RS. A pesquisa evidencia a importância e a maturidade da colaboração existente entre esses agentes e demonstra o potencial transformador dessas parcerias”, destacou a professora Elisa Fernandes, coautora da pesquisa vencedora.

O trabalho vencedor é intitulado “Custos Operacionais no Complexo Portuário do Rio Grande: Uma Análise da Influência das Variáveis Climáticas”, de autoria do egresso do programa de mestrado em Economia Aplicada, Alisson Tallys Geraldo Fiorentin e dos professores Gibran Teixeira, Márcio Barbosa, Pedro Henrique Leivas, Rodrigo Gonçalves, Patrízia Abdallah (do Instituto de Ciências Econômicas, Administrativas e Contábeis – ICEAC), e Elisa Fernandes (do Instituto de Oceanografia – IO).

Em seu texto, o estudo é responsável por quantificar os impactos das paralisações climáticas sobre a eficiência operacional e os custos de oportunidade do Complexo Portuário da cidade do Rio Grande no período de 2020 a 2024. Para isso, os autores utilizam uma série de microdados gerados pela ANTAQ combinados com registros meteorológicos do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Os resultados da pesquisa indicam atrasos médios de mais de 15 horas no tempo até atracação de embarcações, mais de 14 horas na duração das operações e, por fim, também mais de 15 horas na estadia total, chegando a mais de 25 horas de atraso nos terminais públicos. “A simulação de custos acumulados atinge R$ 15,6 milhões para Carga Geral (3.446 horas paradas) e R$ 25,9 milhões para Granel Sólido (5.720 horas paradas), evidenciando vulnerabilidades distintas”, destacam os autores.

A pesquisa conclui pela necessidade de investimentos na área de infraestrutura resiliente, monitoramento meteorológico em tempo real e protocolos de contingência específicos para mitigar atrasos e perdas econômicas.

Sobre o prêmio

O Prêmio ANTAQ, realizado há dez anos, tem o intuito de reconhecer iniciativas que se destacam por sua contribuição na melhoria da prestação dos serviços de transportes aquaviários à sociedade. De acordo com a agência, a iniciativa fomenta a pesquisa e a produção técnico-científica, além de contribuir para disseminar melhores práticas nos âmbitos Ambiental, Social e de Governança.  Nesta edição, o prêmio trouxe o tema “Soluções para a Mudança do Clima”.

De acordo com Gibran, o prêmio é uma grande alegria para o grupo de pesquisa, que aos poucos vem crescendo e ganhando destaque nacional e internacional na sua área. “Nos últimos dez anos, a gente vem se dedicando muito a esse tema. Criamos o programa de pós-graduação em Economia Aplicada, com uma de suas linhas de pesquisa voltadas para a área de Economia Costeira e Marinha, ao qual o grupo de pesquisa está vinculado. Então, realmente o prêmio vem para coroar esse trabalho, em especial neste ano, que o programa passa a integrar o rol de PPGs nota 4, o que vai nos permitir montar uma proposta de doutoramento, e se tudo der certo, vamos criar o doutorado na área de Economia Azul”, detalhou o professor.

Economia Azul e suas potencialidades

Reunindo atividades econômicas ligadas ao mar, aos oceanos e aos recursos hídricos, com foco em sustentabilidade ambiental, a Economia Azul é um conceito que vem sendo explorado de forma intensa nos últimos anos, em especial com a chegada da Década dos Oceanos (2021-2030), da Organização das Nações Unidas (ONU). A ideia por trás dessa concepção busca conciliar desenvolvimento econômico, geração de emprego e renda com a conservação dos ecossistemas marinhos, integrando áreas como pesca, aquicultura, transporte marítimo, energia renovável, turismo, biotecnologia e pesquisa científica.

Ao valorizar a inovação, o conhecimento e a gestão responsável dos recursos naturais, a economia azul se consolida como uma estratégia essencial para enfrentar desafios climáticos, sociais e ambientais, especialmente em regiões costeiras. Com esse entendimento, Gibran explica que o trabalho premiado é fruto de ações construídas na tentativa de entender e identificar o quanto variáveis climáticas impõem dificuldades financeiras e operacionais para os portos do Brasil.

Sobre o Grupo de Pesquisa em Economia Azul

Composto por professores, pesquisadores e estudantes dedicados ao estudo e ao desenvolvimento de iniciativas voltadas à Economia Azul com foco na gestão sustentável dos recursos marinhos e costeiros, inovação e desenvolvimento socioeconômico, o GPEA atua em projetos desde a avaliação de impactos climáticos e ambientais em portos e comunidades costeiras, até a atividade pesqueira, políticas públicas de saúde e governança marinha.

O grupo é comprometido com a geração de conhecimento científico de excelência e a promoção de soluções aplicadas aos desafios do litoral brasileiro. Além disso, tem a incumbência de contribuir para o fortalecimento de políticas, programas e estratégias que integrem desenvolvimento econômico e conservação dos ecossistemas marinhos.

Secom FURG

Foto: Divulgação

 

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